Infelizmente, há pouco tempo nós ouvimos a triste notícia de perda desta mulher incrível, que fez história por onde passou e que ajudou muita gente durante a vida. Zilda Arns Neumann, pediatra e médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança, beneficiou até os seus 75 anos de idade, mais de 2 milhões de crianças e gestantes.
Nascida em Forquilhinha (SC), Zilda morava em Curitiba (PR), e era mãe de cinco filhos e avó de dez netos. Escolheu a medicina como missão e seguiu pelos caminhos da saúde pública. Em 1983, a pedido da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Dra. Zilda Arns criou a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina.
Zilda partiu para a educação das mães por líderes comunitários capacitados por achar que essa seria a melhor forma de combater a maior parte das doenças facilmente preveníveis e a marginalidade das crianças. Após 25 anos, a Pastoral acompanhou mais de 2 milhões de gestantes e crianças menores seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros. Seus mais de 260 mil voluntários levam fé e vida, em forma de solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.
Em 2004, a Dra. Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão semelhante, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários. A entidade visa capacitar líderes locais para ajudar idosos a controlar as vacinas, evitar acidentes domésticos e identificar doenças físicas e emocionais. “Trabalhamos com alfabetização, que é um fator importante na campanha para a paz. Ela começa com a educação das crianças, trabalhando a autoestima das líderes, com reuniões de reflexão na comunidade. Ensinamos as líderes a ouvir as famílias e identificar sinais de violência dentro de casa”, afirmou Zilda certa vez.

O trabalho de Zilda Arns serviu de modelo para vários países, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau; Timor Leste, Filipinas, Paraguai, Peru, Bolívia, Venezuela, Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Equador e México. Em algumas dessas nações a própria médica ministrou cursos sobre como estruturar as ações. E em uma de suas missões humanitárias fora do Brasil, no Haiti, que Zilda Arns morreu, como uma das mihares de vítimas do forte terremoto que abalou o Haiti em 12 de janeiro deste ano.
Zilda durante sua vida e pelo seu trabalho na área social, recebeu condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); entre outros prêmios. Em 2001, a Pastoral da Criança brasileira concorreu ao Prêmio Nobel da Paz, conferido ao então secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Sem dúvidas Zilda foi uma grande mulher e uma grande lição de vida de amor ao próximo.